Esse é o tipo de texto que minha família detesta que eu escreva. Mas como não observar tantos sinais (e placas) que anunciam que o fim do mundo está próximo?
Como ignorar algo que está tão escancarado na nossa rotina? Enquanto a internet discute se é ou não ético que influenciadores milionários divulguem casas de apostas e incentivem o vício de seus seguidores, aqui, na periferia de Belo Horizonte, o buraco é mais embaixo.
O buraco tem menos brilho, menos repercussão, mas igualmente promove a destruição, humilha e mata.
Sim. Se ainda não ficou claro, estou falando da Cracolândia do bairro Jaqueline, que está crescendo a todo vapor. Crescendo, se alastrando, destruindo vidas, comprometendo a segurança pública, gerando poluição e uma série de outros problemas que dão poucos likes nas redes sociais.
Moradores que convivem com essa realidade resolveram fazer do limão (crack) uma limonada (dinheiro). Essa placa é o retrato do nosso fracasso.
Estamos perdendo a guerra, e eu ainda não vi nenhum candidato da região falando sobre isso.
Até quando vamos fingir que não estamos vendo?
Opinião
Publicado em 12 de agosto de 2026
Tá normal lucrar com a falta de graça alheia?
Por
Carol Assis